
Lá na casa dos meus pais tem uma porção de plantas. De vários tipos, vasos diferentes, um canteiro, onde flores elegantes dividem espaço com mato, tudo bastante democrático. No meio dessa profusão verde, existe uma espécie de florzinha azul que adoro. Há algum tempo, fui visitá-los e fiz menção de fotografar a tal flor. Minha mãe: “Anda logo, que ela só dura um dia”. Aí enrolei um bocado (clássico efeito inverso, que as mães têm o poder de provocar) e a luz baixou. Quando enfim resolvi bater a foto, já não havia mais nada. Não acreditei que a natureza passasse tanto tempo aprontando uma flor delicadíssima pra desfazê-la em menos de vinte e quatro horas! Como os monges do Nepal, que constroem belas e complexas mandalas de areia, para ao fim, simplesmente espalhá-las aos quatro ventos. Percebi e aceitei que tinha perdido o instante, distraída com coisas menos importantes do que a trajetória de uma flor.
(Tempos depois, tive outra oportunidade e saí debaixo de chuva para conseguir a imagem que veem acima. Vivi aquele momento de celebração da efemeridade. Capturei a cena, a fim de lembrar que é preciso estar presente e deixar fluir, ao mesmo tempo. Sempre.)
Que linda a florzinha!!
Eu sou apaixonadíssima pelas flores… principalmente essas que dão em qualquer canto, essas que nascem na beirinha do asfalto e essas que passam despercebidas… Amo um jardim florido!
Realmente encontrar uma flor única é muito especial… ainda mais azul!! Ao que me recordo, não existem muitas… ao menos não vi muitas por aqui.
Aliás, isso me lembra que uma vez peguei uma borboleta azul no dedo. Você já conseguiu essa façanha?? Eu estava andando e ela estava no chão, cansadinha, mortinha, sei-lázinha. Eu coloquei o dedo na frente e ela subiu!! Foi um momento grandioso, viu… pena que logo voou, não tive oportunidade de mostrar a ninguém nem fotografar!
Acho que as coisas preciosas são só para a nossa memória. Ainda que eu tivesse conseguido fotografar, provavelmente não traduziria a magia daquele momento único!
Espero que você também possa ter momentos como este e achar esse ‘joy’ que a gente vive buscando…
Beijinhos!
Mariana Mattos